Diretor: Sebastião Lima
Diretora Adjunta: Carla Félix
Aproveitando a vinda da minha neta para estar com os avós, decidi sair da Praia da Vitória, fazer paragem na Freguesia dos Biscoitos e, continuar o restante percurso pela Estrada Regional à volta da Ilha.
 
Confesso que cheguei aos Biscoitos um pouco estonteado, uma vez  que, por cada movimento que tive de fazer com o volante, a cada jarda um buraco, a cada curva uma monda...
 
Saindo dos Biscoitos e, pelo menos até São Mateus, notei que apesar de algumas deficiências, a estrada se encontrava em muito melhor estado de conservação. 
Dirão que a Estrada Regional é da responsabilidade das Obras Públicas e não das Autarquias. Claro que todos sabemos disso, mas também entendemos, que é dever da Autarquia zelar e apelar pela conservação da área da sua jurisdição. 
 
Raciocinando sobre o que presenciava, acabei questionando a mim  próprio, o porquê dessa diferença, considerando que o Concelho de Angra do Heroísmo está sendo governado no momento, por um partido de diferente cor política do atual Governo? Só consigo entender, que mais vale estar na oposição do que na posição... Que o reclamar é mais prudente e assertivo do que o sujeitar... 
 
Isso faz-me lembrar a velha máxima, "DE QUE ANTES MORRER LIVRES DO QUE EM PAZ SUJEITOS"
Diz o Sr. Secretário das Finanças, que tinha obrigação de gastar 100% e excedeu ainda 31%. Confesso que essas contas me fazem alguma confusão, naturalmente porque não sou nenhum entendido na matéria. 
 
Enquanto no ativo, trabalhando para as Forças Armadas dos Estados Unidos na Base das Lajes e, um dos responsáveis pelo encerramento das contas do referido ano fiscal, era obrigatório que não faltasse nem excedesse! Claro que como já disse, sou um leigo nessas contas do Sr. Secretário e, uma coisa não deve ter nada a ver com a outra. 
 
No entanto, faz-me alguma confusão, que se tenha investido tanto no PRR, inclusive ultrapassado o proposto, e mesmo assim, tenha dado à volta à Ilha Terceira e vislumbrado apenas alguns metros de requalificação de estrada na Freguesia dos Altares, por razões obviamente conhecidas e inadiáveis! 
 
Ou a Ilha Terceira e seus representantes nas diferentes vertentes acordam para a realidade, ou nas próximas eleições, a abstenção será maior do que cada buraco que encontrei entre Santa Cruz e os Biscoitos... 
 
Fernando Mendonça

Em Agosto de 2016, Pedro Passos Coelho, de visita aos Açores, reclamava para si os louros do enorme aumento de turistas no arquipélago, como resultado da abertura do espaço aéreo das ilhas verificado em 2015. Acompanhado por Duarte Freitas, então líder do PSD-A, criticava o Governo dos Açores, liderado por Vasco Cordeiro, por ter dificultado esta abertura que permitiu a entrada de companhias “low-cost”, com especial destaque para a Ryanair.

Ao longos destes 10 anos, o turismo foi crescendo nos Açores, dando a ideia de que o céu era o limite e fazendo passar a ideia de que tudo se resolvia por obra e graça do Espírito Santo. Nesse período, a pasta do Turismo teve 4 donos, 2 dos Governos PS e 2 da responsabilidade da AD. Já a cadeira de Presidente da SATA foi ocupada por 7 personalidades, nomeadas pelo Governo Regional, segundo critérios difíceis de entender.

Em Março de 2026, a Ryanair fez o último voo para os Açores, depois de um período rocambolesco em que a própria titular da pasta do Turismo afirmou, publicamente, que os responsáveis da companhia aérea não lhe atendiam o telefone. Perante esta assumpção de impotência e irrelevância, o Presidente do Governo foi lesto em vir a público desdramatizar a situação e anunciar "pressão" para encontrar "soluções minimizadoras" dos danos na conectividade e na economia regional.

Prontamente, as palavras de Bolieiro encontraram eco em quem, naquele momento, entendia que era importante estar alinhado com a posição do Governo. Num mercado que era partilhado por, apenas, três companhias aéreas, com a Ryanair a ser responsável por mais de 300 mil entradas nos Açores, afirmar que não era relevante o abandono desta operadora, só pode ter sido fruto de um qualquer “overbooking” de ideias.

Como seria de esperar, para quem conhece os bois com que lavra, prontamente, a TAP e a Azores Airlines subiram os preços das viagens para os Açores. Para os açorianos, trata-se de mais um esforço financeiro temporário até receberem o reembolso do diferencial pago. A situação agrava-se, e muito, quando os preços para não residentes atingem valores sem paralelo para percursos de duração semelhante no mercado europeu. Obviamente, os Açores ficam fora de rota.

Um Governo que possui uma companhia aérea, ruinosamente deficitária, que ao longo dos anos tem demonstrado uma completa ausência de estratégia comercial, voando ao sabor do desnorte dos seus responsáveis, não pode permitir que o interesse dos Açores seja ignorado. Ao invés de se encontrarem soluções minimizadoras para o abandono da Ryanair, permite-se à AA maximizar as dificuldades, juntando a política de preços às constantes irregularidades no cumprimento de horários de voos.

Chegados ao fim de 2026, devendo o ano de 2027 já estar encerrado e o de 2028 em pleno andamento, continuamos sem perceber qual a estratégia implementada para o Turismo nos Açores. A Visit Azores tem um novo responsável, de quem pouco ou nada se conhece, que parece privilegiar o silêncio em detrimento do diálogo. O percurso errático do passado, infelizmente, não constitui aviso suficiente para que se altere a rota.

Precisamos garantir que o turismo seja uma fonte de riqueza e valorização social, sem destruir o nosso activo mais precioso: a natureza exuberantemente intocada. Para que isso aconteça, é necessária uma estratégia clara sobre o que queremos e como queremos estar e ser vistos. Essa estratégia não pode descurar o povo açoriano, e o seu bem estar, até porque sem isso perdemos a nossa genuinidade.

No fundo, tudo se resume a algo simples: estratégia. O problema é que estratégia não se coaduna com a prática corrente de inúmeras, e sucessivas, medidas paliativas avulsas.

Luis Vasco Cunha

ZONA FRANCA discorda ortograficamente

«O 31 de Março foi estabelecido como Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral, por publicação do Diário da República, II Série, nº 23910/2003, com vista a chamar a atenção da população geral para a realidade do Acidente Vascular Cerebral em Portugal e sensibilizar toda a Sociedade para as medidas que podem e devem tomar para o evitar.» Lia-se na edição do Jornal da Praia nº 708, pg. 11, com base fundamentada numa proposta da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

Nesse dia, celebrava-se já a efeméride em vários países. Portugal não quis ficar atrás, e aproveitou a circunstância para lhe dar também o título de assunto nacional. O objectivo principal era sensibilizar a população e prevenir o AVC, doença súbita, a principal causa de morte e incapacidade física e mental entre nós. Por cada hora, três portugueses são hoje atingidos mortalmente por essa doença, ou incapacidade grave, e nalguns casos muito prolongada devido às suas principais causas.

Nas comunidades, o enfermeiro especializado nesta terrível doença, desempenha um papel primordial na educação das pessoas, promovendo acções de formação e rastreios frequente e oportunos. Os seus factores de risco são: a hipertensão, origem do meu caso, alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, fibrilação auricular, tabagismo, consumo exagerado de álcool, níveis de colesterol, e glicemia elevados, depressão e stress. Estes podem evitar até 90 por cento dos AVC.

Como vemos, são muitas as causas do AVC, que assume vários perfis, caracterizando-se por um rompimento ou bloqueio de uma artéria cerebral que limita a chegada do sangue às células do cérebro, os neurónios. Os seus sinais são fáceis de detectar, manifestam-se através dos três F: a face que apresenta um desvio na boca, a fala que se torna difícil na sua articulação, e regista-se uma falta de força num dos braços ou pernas.

Os casos de AVC aparecem em diferentes idades e meios sociais, especialmente nos indivíduos que têm uma vida muito frenética e desregrada. Alertar a população para a sua prevenção, os sintomas e a urgência do tratamento, é uma necessidade imperiosa. Deve-se memorizar os sinais de alarme para agir de imediato, e chamar o 112. Normalmente, este serviço é o mais aconselhável por ter equipas adequadas próprias com profissionais como médico e enfermeiro.

A cura desta doença não é nada fácil, a sua reabilitação é demorada e penosa, principalmente se o doente tiver uma idade avançada. Por exemplo, dos cinco casos públicos que conhecemos: a pianista Maria João Pires, (80 anos), os escritores José Cardoso Pires (73 anos) e Agustina Bessa -Luís, (96 anos), Joana Ferraz da Costa (44), e eu próprio (83).

O processo de reabilitação dos enumerados não foi idêntico. Cada um teve/tem o seu percurso. E o seu tempo e os seus interesses. Vou citar a mais jovem das seis pessoas por a reabilitação não ser tão longa como nas restantes. Teve lugar num período não mencionado na entrevista da TV I do dia 26.06.2026, mas que não excedeu os nove meses pelo que pudemos concluir. O seu êxito está na forma como falou durante a entrevista. Não lhe observámos nenhuma falha na sintaxe nem no emprego do léxico da linguagem. A Joana Ferraz da Costa falou como uma pessoa normal que até gostei de ouvir.

Sei que terei de realizar ainda muito trabalho. Bem compreendo que, ao contrário dela, tenho somente duas horas semanais. Tivesse eu a mesma sorte, ficaria muito feliz, se o meu caso fosse igual e no mesmo tempo atingido. No entanto, aprendi a ser menos ambicioso e paciente. A reabilitação não pode ser igual para todos os doentes. As previsões, os problemas e os interesses são diferentes nas várias pessoas.

No meu caso, sendo professor, não é tão fácil o fenómeno da linguagem e da escrita, porque a comunicação torna-se mais exigente e responsabilizante, abriga-nos a um certo pudor e a ter respeito pelos que estão a nossa mercê.

Em conclusão, temos de ser calmos e não querer deixar de dar tempo ao tempo. Se quisermos ter uma reabilitação feliz.

António Neves Leal

Setembro 2026

Acerca do Jornal da Praia

Este jornal é um quinzenário de informação geral que tem por objetivo a divulgação de factos, opiniões, debates, ideias, pessoas, tendências, sensibilidades, em todos os domínios que possam ser importantes para a construção de uma sociedade mais justa, livre, culta, inconformada e criativa na Região Autónoma dos Açores.

Este jornal empenha-se fortemente na unidade efetiva entre todas as ilhas dos Açores, independentemente da sua dimensão e número de residentes, podendo mesmo dar atenção primordial às ilhas de menores recursos, desde que tal postura não prejudique a implantação global do quinzenário no arquipélago dos Açores.

Área do assinante