Diretor: Sebastião Lima
Diretora Adjunta: Carla Félix

Em Agosto de 2016, Pedro Passos Coelho, de visita aos Açores, reclamava para si os louros do enorme aumento de turistas no arquipélago, como resultado da abertura do espaço aéreo das ilhas verificado em 2015. Acompanhado por Duarte Freitas, então líder do PSD-A, criticava o Governo dos Açores, liderado por Vasco Cordeiro, por ter dificultado esta abertura que permitiu a entrada de companhias “low-cost”, com especial destaque para a Ryanair.

Ao longos destes 10 anos, o turismo foi crescendo nos Açores, dando a ideia de que o céu era o limite e fazendo passar a ideia de que tudo se resolvia por obra e graça do Espírito Santo. Nesse período, a pasta do Turismo teve 4 donos, 2 dos Governos PS e 2 da responsabilidade da AD. Já a cadeira de Presidente da SATA foi ocupada por 7 personalidades, nomeadas pelo Governo Regional, segundo critérios difíceis de entender.

Em Março de 2026, a Ryanair fez o último voo para os Açores, depois de um período rocambolesco em que a própria titular da pasta do Turismo afirmou, publicamente, que os responsáveis da companhia aérea não lhe atendiam o telefone. Perante esta assumpção de impotência e irrelevância, o Presidente do Governo foi lesto em vir a público desdramatizar a situação e anunciar "pressão" para encontrar "soluções minimizadoras" dos danos na conectividade e na economia regional.

Prontamente, as palavras de Bolieiro encontraram eco em quem, naquele momento, entendia que era importante estar alinhado com a posição do Governo. Num mercado que era partilhado por, apenas, três companhias aéreas, com a Ryanair a ser responsável por mais de 300 mil entradas nos Açores, afirmar que não era relevante o abandono desta operadora, só pode ter sido fruto de um qualquer “overbooking” de ideias.

Como seria de esperar, para quem conhece os bois com que lavra, prontamente, a TAP e a Azores Airlines subiram os preços das viagens para os Açores. Para os açorianos, trata-se de mais um esforço financeiro temporário até receberem o reembolso do diferencial pago. A situação agrava-se, e muito, quando os preços para não residentes atingem valores sem paralelo para percursos de duração semelhante no mercado europeu. Obviamente, os Açores ficam fora de rota.

Um Governo que possui uma companhia aérea, ruinosamente deficitária, que ao longo dos anos tem demonstrado uma completa ausência de estratégia comercial, voando ao sabor do desnorte dos seus responsáveis, não pode permitir que o interesse dos Açores seja ignorado. Ao invés de se encontrarem soluções minimizadoras para o abandono da Ryanair, permite-se à AA maximizar as dificuldades, juntando a política de preços às constantes irregularidades no cumprimento de horários de voos.

Chegados ao fim de 2026, devendo o ano de 2027 já estar encerrado e o de 2028 em pleno andamento, continuamos sem perceber qual a estratégia implementada para o Turismo nos Açores. A Visit Azores tem um novo responsável, de quem pouco ou nada se conhece, que parece privilegiar o silêncio em detrimento do diálogo. O percurso errático do passado, infelizmente, não constitui aviso suficiente para que se altere a rota.

Precisamos garantir que o turismo seja uma fonte de riqueza e valorização social, sem destruir o nosso activo mais precioso: a natureza exuberantemente intocada. Para que isso aconteça, é necessária uma estratégia clara sobre o que queremos e como queremos estar e ser vistos. Essa estratégia não pode descurar o povo açoriano, e o seu bem estar, até porque sem isso perdemos a nossa genuinidade.

No fundo, tudo se resume a algo simples: estratégia. O problema é que estratégia não se coaduna com a prática corrente de inúmeras, e sucessivas, medidas paliativas avulsas.

Luis Vasco Cunha

ZONA FRANCA discorda ortograficamente

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